Tebet Rompe O Silêncio Destrói Plano De Anistia Para Bolsonaro E Denuncia Traição No Senado
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Em uma entrevista explosiva que já ecoa pelos corredores de Brasília e promete reconfigurar o debate político nacional, a pré-candidata ao Senado por São Paulo e atual ministra, Simone Tebet, soltou o verbo. Sem papas na língua, Tebet dissecou o cenário eleitoral paulista, detonou as recentes manobras do Congresso Nacional e escancarou o que classificou como um projeto nocivo e perigoso para a democracia brasileira: a tentativa camuflada de garantir anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações da ministra não apenas expõem as feridas de uma eleição que parece não ter acabado, mas também revelam os bastidores de um jogo de poder onde a ética e a palavra dada parecem ter sido jogadas no lixo.
A entrevista, concedida à Carta Capital, foi um verdadeiro soco no estômago das narrativas bolsonaristas e um duro alerta para o governo e seus aliados. Tebet não se esquivou de nenhum tema espinhoso. Desde a análise franca sobre a gestão de Tarcísio de Freitas em São Paulo até a denúncia de um “acordão” obscuro que barrou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O recado foi cristalino: o Brasil está diante de uma encruzilhada perigosa, e o que está em jogo é o futuro da civilização contra o retrocesso.
O Mito Tarcísio E A Batalha Por São Paulo
Ao abordar a disputa eleitoral no maior colégio eleitoral do país, Simone Tebet foi categórica ao desconstruir a aura de invencibilidade que cerca o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Para a ministra, a eleição é difícil, sem dúvida, mas a estratégia será pautada na exposição cruel da realidade contra a propaganda oficial. “Primeiro que Tarcísio, pela realidade dos fatos, não é invencível. Fernando Haddad sabe disso”, disparou.
A tática delineada por Tebet é incisiva: comparar Tarcísio com ele mesmo. O embate não será focado em ideologias rasas, mas na dura confrontação entre a imagem que o governador vende e o que a sua gestão efetivamente entrega em áreas cruciais como investimentos, infraestrutura e, sobretudo, na segurança pública, um calcanhar de Aquiles histórico no estado. “Com números, com verdade, com racionalidade e com debate”, prometeu a ministra.
Para Tebet, a candidatura de Fernando Haddad representa um trunfo incomparável. “Nós temos um pré-candidato que conhece São Paulo como poucas pessoas, tendo sido prefeito, ministro da Fazenda e ministro da Educação. Nós temos o melhor pré-candidato, nós temos os números e nós temos a verdade.” A aposta é que a supermáquina de propaganda do governo estadual não resistirá ao peso dos fatos. “Quando esse véu for destampado e os números efetivamente aparecerem, o eleitorado vai fazer o seu juízo de valor e vai às urnas com consciência para votar”, sentenciou, alertando que a eleição de São Paulo definirá os rumos da política nos próximos quatro anos.
A Cortina De Fumaça E O Perigo Real Da Anistia
Mas o momento de maior impacto da entrevista ocorreu quando Tebet mirou na polêmica envolvendo o Projeto de Lei da Dosimetria. Recente e temporariamente suspenso pelo ministro Alexandre de Moraes, o projeto foi duramente criticado pela ministra, que o dissecou não apenas como uma questão técnica jurídica, mas como uma perigosa cortina de fumaça para proteger os golpistas do fatídico 8 de janeiro, incluindo Jair Bolsonaro.
“Quando eles tentaram o PL da anistia e viram que não tinha nem apelo social naquela época, eles vieram com o PL da dosimetria”, revelou Tebet, expondo a estratégia de seus adversários. O alerta da ministra foi gravíssimo: “Agora que aprovaram o PL da dosimetria, eu não tenho dúvida de que, ainda que não agora por conta da eleição, o primeiro ato do próximo Congresso Nacional será tentar anistiar o ex-presidente da República”.
Para ela, a discussão sobre a justeza ou não da diminuição de penas é uma armadilha retórica. “A gente sabe que é um projeto de poder muito maior, muito mais amplo e muito mais nocivo à democracia brasileira”. O desabafo reflete a exaustão de um país que ainda respira a atmosfera tóxica de 2022. “A eleição de 22, lamentavelmente, ainda não acabou. Nós arrastamos para 23, 24, 25 e agora 26 aquela polarização”, diagnosticou, destacando o desafio monumental de governar um país fraturado e sem uma maioria consolidada no Parlamento.
Mea Culpa Do Governo E A Escolha Entre Dois Brasis
Apesar da defesa ferrenha do projeto governista, Simone Tebet demonstrou maturidade política ao fazer um mea culpa em nome da gestão Lula. A ministra reconheceu que o governo falhou em um ponto crucial: a comunicação. “A gente achou que trabalhar demais seria suficiente”, lamentou. Ela elogiou a energia incansável do presidente Lula e a capacidade de entrega dos ministros, ressaltando que todos os indicadores econômicos e sociais melhoraram em comparação com a gestão bolsonarista.
No entanto, o erro de cálculo foi não gritar essas conquistas aos quatro ventos. “A gente trabalhou demais e talvez tenha se comunicado de menos”, admitiu. E é exatamente essa falha na narrativa que permite que a oposição continue ameaçando as estruturas democráticas.
Tebet traçou uma linha divisória inegociável para as próximas eleições. Para ela, a escolha não é entre direita ou esquerda, mas entre dois futuros completamente antagônicos. “O que está em jogo é o Brasil que queremos para a próxima década. O Brasil dos avanços civilizatórios ou o Brasil do retrocesso? O Brasil do ódio, da discriminação, da fake news, ou um projeto coletivo de um Brasil que cresce sem deixar ninguém para trás?”.
A ministra reforçou o papel vital da frente ampla que ajudou a eleger Lula, destacando a sua própria figura como uma ponte para dialogar com eleitores mais conservadores ou de centro que repudiam o bolsonarismo. “Ainda temos uma ponte que não está pronta. Uma passagem para um Brasil seguro democrática e socialmente”, enfatizou.
O Fundo Do Poço E A Traição Escandalosa No Senado

A indignação de Simone Tebet atingiu o seu ápice ao comentar a inédita e chocante rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal pelo Senado. A ministra não poupou críticas e classificou a manobra parlamentar como o “fundo do poço”. “Quando a gente acha que viu de tudo, que a política já foi para o fundo do poço, tem sempre um alçapão, e depois outro alçapão”, lamentou.
Tebet desmascarou a farsa por trás da rejeição. Segundo ela, o veto não se deu pela falta de qualificações de Messias – que, segundo a ministra, possui inquestionável reputação ilibada e notório saber jurídico –, mas sim por interesses obscuros e conchavos políticos de sobrevivência. “A rejeição não se deu por questões republicanas. Houve um conchavo em torno do salve-se quem puder, uma autoproteção de parlamentares investigados em escândalos como o do Banco Master”.
A traição foi dupla: aos acordos firmados e ao povo. “A palavra na política é essencial. Ninguém foi obrigado a dizer que votava no Messias”, argumentou, expondo a hipocrisia dos senadores que prometeram apoio nos bastidores e apunhalaram a indicação no plenário. “O que a gente viu foi traição de toda sorte. Traição ao povo brasileiro, porque se traiu a boa política”.
A Mulher Negra No STF A Cartada Histórica Proposta Por Tebet
Diante do impasse criado pela rejeição de Messias, Simone Tebet lançou uma proposta que já movimenta as peças do xadrez jurídico e político de Brasília. Ela defendeu que o presidente Lula não deve curvar a cabeça e precisa indicar um novo nome em um prazo curto de 10 a 30 dias.
Avaliando o cenário por conta própria e com visão estratégica, a ministra fez uma sugestão de peso histórico: a indicação de uma mulher negra para a cadeira vaga no STF. “Se for uma mulher negra, será histórico, melhor ainda. Não é para constranger o Congresso, não. É porque nós temos mulheres competentes com notório saber jurídico e reputação ilibada, mulheres negras com esse perfil no campo jurídico”, cravou.
Para Tebet, essa indicação resolveria dois problemas de uma só vez: faria uma reparação histórica em uma corte majoritariamente branca e masculina, e colocaria o Congresso Nacional em uma posição extremamente delicada caso tentasse rejeitar ou protelar uma candidata com tais atributos e representatividade. “O Supremo não pode ficar com apenas dez ministros. Justiça tardia não é justiça, é arremedo”, concluiu a ministra, citando Rui Barbosa para finalizar sua fala potente e destemida. O recado de Tebet foi dado. Resta saber se Brasília terá coragem de ouvi-la.