O xadrez político brasileiro acaba de presenciar um movimento tão audacioso quanto humilhante para o atual morador do Palácio do Planalto. Em meio a uma crise diplomática e econômica que ameaça estrangular o bolso do cidadão comum e destruir a competitividade nacional, o governo federal simplesmente decidiu apagar as luzes, trancar as portas e se esconder debaixo da mesa. O cenário dessa tragédia anunciada é Washington, a capital do poder global. O tema central é o bombardeio iminente de uma tarifa devastadora de vinte e cinco por cento que os Estados Unidos pretendem impor sobre os produtos brasileiros, um ataque direto que atinge até mesmo a espinha dorsal do nosso sistema financeiro atual, o Pix. Diante dessa catástrofe iminente, esperava-se uma reação enérgica do Estado. Porém, quem sobe ao palco internacional para defender a nação não é o presidente da República, mas sim o seu mais feroz adversário político.

O prazo para o registro na audiência pública americana, marcada para o início de julho, esgotou-se com um silêncio sepulcral por parte do governo petista. Ninguém do corpo diplomático, nenhum ministro, absolutamente nenhum enviado de Lula se inscreveu para defender o Brasil e tentar barrar esse aumento tarifário absurdo. É o ápice da inércia. Enquanto o presidente assiste ao desenrolar da crise de braços cruzados, isolado em sua própria redoma em Brasília, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro percebeu o vácuo de poder e deu um verdadeiro xeque-mate. Com uma visão estratégica afiada, Flávio inscreveu-se como cidadão e parlamentar para discursar nos Estados Unidos em nome dos interesses brasileiros.
A genialidade perversa dessa manobra reside na sua simplicidade e no impacto devastador que terá nas próximas campanhas eleitorais. Ao carimbar seu passaporte para Washington com a missão de argumentar contra as taxas e em defesa da economia brasileira, Flávio Bolsonaro veste, na prática, a faixa presidencial que Lula abandonou na cadeira. Ele se coloca perante o mundo e perante o eleitorado americano como o único adulto na sala, o único líder disposto a dar a cara a tapa para evitar que o trabalhador brasileiro pague o preço de uma guerra comercial desastrosa. Para um governo que adora discursar sobre sua suposta maestria na política externa, a ausência em um debate que pode custar bilhões ao Brasil é uma bofetada em praça pública.

Imagine o cenário aterrador que se desenha para o atual governo nas próximas semanas. Se a comissão americana ouvir os argumentos, recuar e a sobretaxa não for implementada, o troféu não irá para o Ministério das Relações Exteriores, mas cairá diretamente no colo de Flávio Bolsonaro. Ele voltará ao Brasil como o herói que cruzou o continente para salvar a economia, podendo estampar em cada peça de campanha que foi ele quem resolveu um problema colossal ignorado por Lula. Por outro lado, mesmo que o pior aconteça e a tarifa seja imposta, a narrativa da oposição já está blindada. Flávio poderá olhar nos olhos dos eleitores e dizer com todas as letras que ele tentou, que ele lutou e que ele foi até o fim, enquanto o presidente petista sequer teve a coragem de enviar um porta-voz, seja por falta de fluência no idioma ou por pura incompetência diplomática.
Essa jogada de mestre aniquila qualquer tentativa futura do governo de rotular a oposição como inimiga do país. Como Lula poderá subir em um palanque e acusar Flávio Bolsonaro de jogar contra os interesses do Brasil, se foi exatamente Flávio quem assumiu a responsabilidade de tentar evitar o colapso econômico em solo estrangeiro? O feitiço virou contra o feiticeiro de forma brutal. A inação do atual presidente entregou de bandeja o discurso do patriotismo verdadeiro para as mãos do adversário. Enquanto Flávio age com a liturgia e a urgência de um verdadeiro chefe de Estado em plena capital americana, Lula é reduzido a um mero espectador de sua própria ruína política, engolindo poeira em um jogo onde a omissão cobra um preço implacável. O tapa na cara ressoou, e o mundo inteiro ouviu.
Disclaimer: This story is a work of fiction created for entertainment purposes. Any resemblance to real persons, events, or places is coincidental.